A Escola Profissional Raul Dória continua a afirmar-se como uma escola onde a aprendizagem ganha vida fora da sala de aula, através de projetos que unem teoria, prática e forte ligação à comunidade. Um exemplo claro desse compromisso foi a realização da parte prática da Prova de Aptidão Profissional (PAP) das alunas Sofia Medeiros e Beatriz Melo, do 12.º ano do Curso Técnico/a de Ação Educativa (+ info), que decorreu recentemente no Colégio Casa Verde (+ info).
Sob o título “Cantinho das Sensações – Cinco sentidos, um equilíbrio”, o projeto revelou-se uma experiência educativa profundamente significativa, tanto para as crianças envolvidas como para as próprias alunas, que demonstraram um elevado nível de maturidade, organização e autonomia ao longo de todo o processo.
A Prova de Aptidão Profissional representa o culminar do percurso formativo dos alunos dos cursos profissionais, sendo um momento determinante onde se avaliam competências técnicas, pedagógicas, sociais e organizacionais. No caso da Sofia e da Beatriz, a PAP foi pensada desde o início como uma intervenção real, aplicada em contexto educativo autêntico e com impacto direto nas crianças.
A atividade decorreu na sala dos 2 anos, envolvendo 26 crianças, entre as quais uma criança com Necessidades Educativas Especiais (NEE), e teve a duração aproximada de 1 hora e 30 minutos. Tratou-se de uma atividade sensorial, motora, cognitiva e expressiva, cuidadosamente planificada e adaptada à faixa etária, conforme descrito no relatório da PAP
O “Cantinho das Sensações” foi estruturado com base na estimulação dos cinco sentidos — audição, tato, olfato, visão e paladar — integrando princípios de pedagogia ativa, aprendizagem experiencial e inspiração em práticas holísticas, sempre com respeito pelo desenvolvimento global da criança.
Entre os principais objetivos da atividade destacaram-se:
✔️promover o bem-estar físico e emocional;
✔️estimular a consciência sensorial e a atenção plena;
✔️proporcionar momentos de relaxamento, concentração e criatividade;
✔️reforçar laços entre as crianças;
✔️fomentar a autorregulação emocional e a interação em grupo.
Cada momento foi pensado para respeitar o ritmo das crianças, criando um ambiente seguro, acolhedor e estimulante.
Antes da implementação da atividade, as alunas realizaram um trabalho preparatório minucioso. Construíram materiais, elaboraram a planificação escrita, contactaram a instituição, prepararam o espaço e testaram previamente todas as atividades.
No dia da intervenção, a sala foi organizada em diferentes “cantinhos”, com elementos visuais, materiais sensoriais e objetos preparados pelas próprias alunas. A receção das crianças foi feita de forma calma e estruturada, promovendo desde logo um ambiente de confiança.
A atividade iniciou-se com o sentido da audição, recorrendo a música relaxante e a um pequeno jogo de palmas para trabalhar limites, silêncio e concentração. Seguiu-se o tato, através de massagens nas mãos entre pares, promovendo cooperação e consciência corporal. No olfato, as crianças escolheram flores secas e criaram os seus próprios saquinhos aromáticos. A visão foi trabalhada com a pintura de desenhos ligados à natureza, e, por fim, o paladar foi explorado na cantina, com a degustação de bolachas e chá, num momento de partilha e tranquilidade.
Um dos aspetos mais relevantes desta PAP foi a atenção dada à inclusão. As alunas planificaram adaptações sensoriais e cognitivas, simplificando tarefas quando necessário, reduzindo estímulos e organizando o espaço de forma acessível. Foi também garantido tempo adicional para a realização das atividades, respeitando as necessidades individuais.
Esta preocupação demonstra uma compreensão sólida das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar e uma visão ética e humanista da ação educativa, onde cada criança é vista como um ser único e global.
A acompanhar as alunas esteve a professora Carina Fonseca, docente da área técnica do Curso de Ação Educativa, que supervisionou a implementação da atividade, assegurando o rigor pedagógico e apoiando as alunas ao longo do processo.
Para a Diretora de Curso, Erica Marques, este projeto é motivo de grande satisfação:
“Não poderia estar mais contente. A Sofia e a Beatriz revelaram uma autonomia excecional, desde o planeamento até à execução. Foram elas que estabeleceram o contacto com o Colégio Casa Verde, organizaram os materiais, planificaram a atividade e a colocaram em prática com enorme profissionalismo.”
Esta autonomia é um dos pilares da formação na Escola Profissional Raul Dória e reflete a capacidade das alunas de assumir responsabilidades reais, comunicar com instituições externas e responder a desafios em contexto profissional.
A PAP “Cantinho das Sensações” é um exemplo claro de como a aprendizagem ganha profundidade quando é colocada ao serviço da comunidade. As alunas não só aplicaram conhecimentos teóricos, como desenvolveram competências essenciais para o seu futuro profissional: planeamento, comunicação, empatia, observação, avaliação e reflexão crítica.
Após a atividade, as alunas procederam à arrumação do espaço, recolheram feedback da instituição e refletiram sobre os pontos fortes e os aspetos a melhorar, integrando essas aprendizagens no relatório final da PAP.
A realização da parte prática da Prova de Aptidão Profissional da Sofia Medeiros e da Beatriz Melo demonstra, uma vez mais, a qualidade da formação ministrada na Escola Profissional Raul Dória. Este projeto não foi apenas uma avaliação final — foi uma experiência transformadora, humana e profissional.
Parabéns às alunas pelo empenho, pela sensibilidade e pela maturidade demonstradas. Parabéns ao Colégio Casa Verde pela abertura e colaboração. E parabéns à equipa pedagógica por continuar a formar técnicas de ação educativa capazes, conscientes e preparadas para fazer a diferença.
Na EPRD, a educação constrói-se com conhecimento, mas também com coração, prática e compromisso com os outros.