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Raul Dória

Hoje, é notícia de que apenas 36% dos alunos do ensino secundário frequentam um curso profissional, quando a média na EU se situa nos 60%. 

 

Lembro que, a propósito do clamor do tecido empresarial e do país em geral, por recursos humanos qualificados a proclamação, feita há alguns anos, pelo Senhor Primeiro Ministro e pelo Ministro da Educação foi que a meta, a atingir em 2020, seria de 50% dos alunos do ensino secundário a frequentar a via profissionalizante. 

 

Pois o que aconteceu é que a taxa já atingiu os 43%, mas nos 2 últimos anos tem vindo a descer atingindo agora os 36%. Divergindo claramente do que ocorre na Europa. 

 

Há explicações para que isto aconteça? Há e são várias. 

 

Começando pela confirmação de que não basta estabelecer metas e esperar passivamente, ou ter fé, que elas sejam atingidas. 

 

Não basta que o Senhor Presidente da República e o Senhor Primeiro Ministro venham, uma vez por ano, enaltecer publicamente as virtudes, os méritos e as vantagens, para o jovem, do ensino profissional. E pronto, já está.  

 

Similar ao que se passa com o envelhecimento da população, pois não basta desafiar os casais a ter mais filhos e esperar que tal aconteça. 

 

Outra explicação assenta no facto de que ainda subsiste, em alguns agentes educativos: Diretores de Escolas e Agrupamentos, professoras(es), psicólogas(os), a ideia e opinião, percecionada pelos jovens, pelos pais e pela sociedade em geral, de que o ensino profissional está vocacionado para os alunos considerados (por muitas vezes erradamente) menos capacitados para concluir a escolaridade obrigatória, porque será mais fácil. Este preconceito assenta na ignorância acerca do que realmente é, como funciona e os resultados que ensino profissional obtém. 

 

Este preconceito continua a existir, ainda, em alguma opinião pública, pelo mesmo motivo: ignorância. Tanto mais grave quanto advém de alguns influenciadores, com acesso privilegiado e frequente aos meios de comunicação social com maiores audiências. Sobretudo vindo daqueles que estão convencidos que sabem de tudo ou, já agora como está na moda, acham que são especialistas em todas as matérias. 

 

E ainda uma outra explicação, por agora, que será o fator mais preponderante: a maioria das empresas que compõem o nosso tecido empresarial, não valoriza e não discrimina positivamente os jovens que obtêm uma qualificação profissional de nível IV, simultaneamente à conclusão do 12º ano de escolaridade. 

 

A via profissionalizante do ensino secundário não é mais fácil nem mais difícil do que a via ensino. São distintas, mas dão o mesmo resultado na vertente da escolaridade: 12º ano e acesso ao ensino superior. 

 

Mas a via profissionalizante confere ainda uma qualificação certificada para exercício de uma profissão, porque a formação assenta prioritariamente no “saber fazer” e não se fica pelo “saber saber”. E a via ensino não. 

 

Paulo Sousa – Diretor da Escola Profissional Raul Dória 

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